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Carta de Referência x Carta de Recomendação – Qual é a mais ‘decisiva’?

Já vi vários profissionais que exibem com orgulho cartas de referência das empresas pelas quais já passaram. Consideram que esses ‘certificados’ podem abrir um grande horizonte de possibilidades.  Há quem afirme com convicção que ‘toda empresa é obrigada a concender a carta de referência, salvo os casos em que o colaborador é desligado por justa causa‘. Nada mais falso… Para começarmos a desvendar o verdadeiro poder de tais cartas, convém darmos uma olhada em seu conteúdo, que, em geral, é escrito com o seguinte teor:

Declaramos para os devidos fins, que o Sr ______________, portador da CTPS _____________________, foi nosso funcionário de _________ à ___________, exercendo como último cargo a função de _________________, nada constando em nossos arquivos que desabonem sua conduta profissional.

________________, ____/____/_____

Nome do empregador ou representante legal
Nome da empresa (se for o caso)
CNPJ (se for o caso)

13 de Outubro de 2011

Percebe-se que a carta de referência é um instrumento puramente formal, burocrático, sendo bastante ‘econômica’ em termos de informações. Não há nenhum tipo de avaliação de perfil, desempenho, nada de adjetivos positivos a respeito do seu portador. Ela declara apenas que, de fato, aquela pessoa fez parte dos quadros da empresa, exercendo tal função, por tal período. Seu poder é muito, muito pequeno. Os recrutadores não costumam dar muito crédito à expressão de que não há ‘nada que desabone a conduta profissional’.

Outro aspecto é que nenhuma empresa é obrigada por lei a emitir tal documento. A exceção são os acordos firmados entre entidades patronais e alguns sindicatos de determinadas categorias que estabelecem essa obrigatoriedade, enquanto o acordo for válido.

Já as cartas de recomendação, como o próprio nome demonstra, procuram ‘persuadir’ a contratação do candidato, pois destacam de forma explícita características de seu perfil profissional e algumas de suas competências. Vejamos a redação de uma típica carta desse tipo:

O Sr._________________, tendo trabalhado em nossa empresa no período compreendido entre ______ e _____, na função de _____________, desempenhou durante este tempo todas as suas atividades de maneira eficiente, demonstrando sua competência profissional, bem como facilidade no aprendizado de novos afazeres e na transmissão dos seus conhecimentos a outros. Foi demitido devido a uma restruturação financeira pela qual passou nosso quadro de funcionários, que precisou ser reduzido, nada constando, durante sua passagem pela nossa firma, que o(a) desabonasse.

Portanto, viemos por meio desta reafirmar nosso entendimento de que são qualidades suas: competência, honestidade, capacidade e idoneidade, pelo que entendemos ser nossa obrigação recomendá-lo(a) como ótima nova contratação de sua empresa, na qual certamente terá muito a acrescentar.

Sem mais

Assino a presente

(Local, data e ano)

(Nome e assinatura do Antigo Empregador)

Importante destacar que a carta de recomendação também não é obrigatória. Só vai ter uma dessa em mãos quem for competente e tiver saído da empresa pela porta da frente, deixando-a aberta para futuras oportunidades. Também será decisivo para o poder desse documento o nome e a reputação de quem assina. Caso seja um executivo de uma empresa de imagem reconhecida no mercado, certamente as chances do candidato se elevarão mais. Desista de colocar referências assinadas por parentes diretos – por mais verdadeiras que elas sejam, terão credibilidade zero…

Lembre-se que cartas são apenas meios, instrumentos… Caberá ao profissional a responsabilidade de provar no decorrer do processo seletivo, ou ainda num eventual período de experiência, que tudo que foi colocado no papel é a mais pura expressão da verdade.

4 respostas para “Carta de Referência x Carta de Recomendação – Qual é a mais ‘decisiva’?”

  1. Ronaldo Marques disse:

    Grande Mestre Flávio, Carta de Referência x Carta de Recomendação na minha opnião no mercado de hoje não não vejo muitas cartas dessas no mercado para tomada de decisão, acho que foram substituidas pelo QI (quem indica), uma vez ja me fiz a pergunta: Como pode alguém emitir uma carta de Referência ou Carta de Recomendação de um funcionário já que é recommendável, não estaria saindo da empresa. A empresa recomendar um funcionario bom para os concorrentes? como pode? po isso que não vejo importância nesses documentos para tomar decisões de contratação e sim QI.

  2. Deyse disse:

    E esse QI que o Ronaldo falou, precisa ser ainda mais forte para quem quer trabalhar no RH, vejo ser mais forte do que para outras áreas.

  3. Flávio Emílio disse:

    Ronaldo, de fato as cartas de referência têm pouco peso para contratação de alguém… Mas as cartas de referência sim. Elas caminham na mesma direção de uma indicação. Lembre-se de que, nem todo colaborador sai da empresa desgostoso ou em meio a um conflito. Além disso, pode ir para outro ramo e não para um concorrente direto. Continuo a acreditar nas cartas de recomendação e no QI.

  4. Flávio Emílio disse:

    RH tem se mostrado uma área cada vez mais estratégica, pois trata dos verdadeiros diferenciais competitivos: as pessoas.

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